ENTREVISTAS / Prophetic Age (Sferatu)
por Yuri d'Ávila
Adquirindo respeito no cenário underground nacional, e desde meados da década de 90 difundindo seu black metal sinfônico e sombrio, Sferatu da horda Prophetic Age vem nos contar como tem sido trilhar os caminhos obscuros da banda.
 
1 - E aí Sferatu, conte-nos um pouco sobre a trajetória do Prophetic Age até hoje, para podermos nos situar no tempo. Sferatu: A horda foi formada por Samash, Rheiss e Gregor, em 1996. Após encontrar um vocalista foi lançada, em 1997, a Demo Tape “On the Way of Eternity”. Em 1998 ocorreu então a fusão dos membros remanescentes do finado Nocternity e do antigo Prophetic Age, e, em seguida, iniciamos os trabalhos relativos ao debut álbum. Foram então lançados, de forma independente em junho de 2001 e agosto de 2001, o CD-PROMO “Guardians Of The Lost Temple” e o primeiro CD oficial da banda, auto entitulado “Prophetic Age”. No final de 2001 substituímos o antigo tecladista, originário também do Nocternity, por Mortum. Foi então que decidimos lançar um CD gravado ao vivo durante os shows de divulgação do primeiro trabalho, para que aqueles que ainda não possuíam o debut da banda pudessem ao menos adquirir um registro que incluísse algumas de suas músicas. Como a música nova “Ours Are The Late Hours” (Nossas São As Horas Tardias) já havia feito parte de alguns shows e já compunha nosso repertório, decidimos incluí-la no CD e utilizar seu nome para denominá-lo. O CD “Ours Are The Late Hours” foi então lançado pela Imperial Rec. e pela Nocturnal Age Rec., em um show realizado em Mauá, SP, em 8.3.2003. Após diversos shows para divulgação do CD "Ours Are The Late Hours", realizados tanto em São Paulo quanto fora do estado, iniciamos em julho de 2003, as gravações do "Forged in the Blackest of Metals" (Forjado no Mais Negro dos Metais), no estúdio Z7, com produção de Tadeu Martinez, Herbert Adriano (ex-Depressed) e Ciero (Da Tribo Estúdio). As gravações renderam o convite para abrir o show do Marduk em São Paulo e também um contrato com a Hellion Records para lançamento desse novo trabalho, o que ocorreu em dezembro de 2003.
 
2 - O CD-Debut da horda teve praticamente suas cópias todas esgotadas poucos meses após seu lançamento. Como foi isto, se tratando de um CD gravado e distribuído de forma independente?
Sferatu: Até hoje não sabemos... Já tínhamos um público razoável quando lançamos o “Debut”, mas acho que, o que fez a diferença, foram os comentários da mídia especializada, que foram muito bons e com isso muitas distribuidoras se interessaram pelo álbum. Com o CD sendo distribuído por várias distribuidoras diferentes, as vendas aumentaram até que o CD esgotou em alguns meses. Hoje ainda é possível encontrar uma cópia ou outra dele por ai, mas os vendedores estão deixando o preço bem salgado.
 
3 - Todos sabem que após tocar com bandas conhecidas no Brasil, como Torture Squad e Ocultan, o Prophetic Age abriu o show da banda sueca Marduk em São Paulo. Como foi tocar com uma banda de renome mundial e quais pontos você destacaria no show?
Sferatu: Além de ter sido uma grande realização para nós tocar com uma das bandas que mais admiramos na cena mundial, também foi muito produtivo tocar com o Marduk. Primeiro por que foi um de nossos maiores shows, com um grande público e uma estrutura que ainda não havíamos experimentado, foi realmente algo de nível gringo. Segundo, pois tivemos uma grande projeção na mídia e uma grande divulgação do nome do PROPHETIC AGE em razão desse show, o que favoreceu o fechamento do contrato com a Hellion para o lançamento do “Forged in the Blackest of Metals”.
 
4 - Neste show vocês estrearam um novo guitarrista, conte-nos como isto aconteceu!
Sferatu: Durante as gravações das guitarras do “Forged in the Blackest of Metals” fomos elaborando diversos arranjos que não estavam nas composições originais e que não poderiam ser tocados ao vivo sem outra guitarra. Isso seria uma grande perda, pois as apresentações não seriam completamente fiéis ao CD. Decidimos então que seria necessária outra pessoa na banda para fazer as guitarras nos shows, mas não queríamos incluir um novo membro no nosso “line up” sem uma pré-seleção. O Herbert já estava conosco em estúdio produzindo a bateria do disco e como somo muito amigos e sabemos que ele tem uma ótima experiência como guitarrista também, decidimos chamá-lo para tocar conosco como um guitarrista de apoio para shows. Ele estreou no show com o Marduk.
 
5 - No caso do Prophetic Age, tocar com o Marduk deu-se devido ao lançamento do novo CD pela Hellion, uma das organizadoras do evento. Mas no Brasil nem sempre é assim. O que você acha de bandas que acabam tendo que pagar para abrir para bandas estrangeiras e vocês já receberam propostas deste tipo?
Sferatu: Cabe esclarecer primeiramente que fomos convidados a tocar com o Marduk antes de termos fechado qualquer contrato com a Hellion para lançamento do novo álbum. Claro que o interesse deles já existia e essa foi uma forma de nos aproximarmos mais e conseqüentemente concretizar algo que já estava para acontecer, mas o convite foi anterior ao contrato. Quanto à “bandas que acabam tendo que pagar pra tocar”. Acho que ninguém “tem que” nada, cada um faz o que acha melhor. Só que algumas bandas acabam pagando pra tocar, pois acham que isso é uma boa forma de divulgação e de expor seu material. Cada um pensa de uma forma e acredito que essa é uma questão difícil de se discutir, mas nós particularmente nos orgulhamos de nunca termos pago para tocar em show algum, seja com que banda for, e essa é nossa posição. Não acho que ela vá mudar agora.
 
6 - Vocês tem previsão de tocar fora do Brasil?
Sferatu: Ainda não. Atualmente temos pessoas que agenciam os shows da banda e estamos tentando fixar uma agenda para, antes de qualquer viagem ao exterior, fazer mais shows no Brasil, pois nosso território é muito extenso e o público brasileiro é sedento por shows de metal extremo. Atualmente estamos fazendo alguns shows ainda no Estado de São Paulo, pois já estavam agendados há bastante tempo, depois acredito que vamos tocar em Minas Gerais, possivelmente em Juiz de Fora, Rio de Janeiro e outros estados nos quais ainda não temos datas confirmadas.
 
7 - Como tem sido a relação do Prophetic Age com outras bandas de BLACK metal nacional? Vocês já tiveram problemas com alguma banda?
Sferatu: Somos amigos ou conhecidos de muitas das bandas de metal extremo do território nacional e aquelas com as quais não temos contato algum é apenas por falta de oportunidade. Não me recordo de nenhum problema relevante com alguma banda. Lógico que pequenas picuinhas sempre ocorrem em nossa cena, mas não cabe comentá-las aqui, pois sempre que ocorreram, foram bem resolvidas. Não temos “treta” com ninguém que verdadeiramente compartilha de nossos ideais, pois seria extremamente depreciativo para o nosso underground.
 
8 - Após um debut e um CD ao vivo, vocês gravaram um terceiro trabalho. Como foi o processo de gravação do novo álbum "Forged In The Blackest Of Metals"?
Sferatu: Dessa vez as gravações foram feitas no “Z7 Stúdio”, do Tadeu Martinez, grande amigo nosso a cerca de 10 anos. Esse foi o estúdio no qual fizemos a mixagem do ao vivo “Ours Are The Late Hours” e em razão do excelente trabalho realizado, escolhemos gravar o “Forged...” lá. Acredito que tenha sido a escolha ideal, pois lá nós ficamos muito a vontade para gravar. Além disso, tínhamos o equipamento que queríamos e os produtores que já haviam trabalhado conosco pelo menos uma vez, isso fez com que os trabalhos fluíssem melhor e o resultado final foi muito satisfatório.
 
9 - Este CD saiu pela Hellion Records, que é um selo conceituado no Brasil. Como vocês conseguiram isto e como você vê o apoio nacional ao black metal dado pelas mídias e gravadoras?
Sferatu: Antes das gravações do “Forged...” nós preparamos um CD promo com algumas músicas que entrariam nesse álbum e enviamos para diversas gravadoras, a Hellion se interessou em lançar o trabalho e nos fez uma boa proposta. Acho que somos a primeira banda de Black Metal no cast da Hellion, mas isso só nos dá mais orgulho ainda pelo nosso trabalho. É evidente que o apoio e interesse crescentes ao Black Metal, que as gravadoras e a mídia hoje demonstram, é fruto da percepção de uma maior possibilidade de obtenção de lucro. Contudo, não vejo isso como uma coisa negativa, eles buscam o que lhes interessa, nós temos que fazer o mesmo.
 
10 - Queria agradecer Sferatu pela entrevista e perguntar o que você espera do metal extremo para o ano de 2004 e para os seguidores das hordas negras de nosso país?
Sferatu: Eu é que tenho a agradecer o espaço. Espero que cada vez mais o público brasileiro se conscientize de que nossa cena é uma das mais grandiosas e fortes do mundo e que cada uma das hordas desse país que lutam incessantemente em prol de nossos ideais e contra a escravidão sócio-religiosa que sofremos, consigam obter o reconhecimento que buscam e a difusão de suas idéias.

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