ENTREVISTAS / Grotescolândia (Fábio Gore)
por Yuri d'Ávila
Mostrando um GoreGrind totalmente cru, extremo e produzido em computador, o Grotescolândia nos conta sobre este projeto que tem despertado a curiosidade de muitos e principalmente da cena juizdeforana...
 
1 - Como surgiu o projeto Grotescolândia e quem foram os responsáveis por sua criação?
Fábio Gore: Eu e o Masmorra já nos conhecíamos há um bom tempo, desde a época de escola... A idéia do GrotescolândiA surgiu da fusão de dois antigos projetos, um meu chamado NARCOLEPSIA - que tinha uma temática totalmente splatter, expondo um mundo doentio dominado pelas patologias (principalmente pelas doenças de pele) - com o qual cheguei a fazer alguns sons, o logotipo e até uma arte gráfica para a capa da demo mas nada foi publicado por motivos diversos. E o Masmorra com o EXECRAÇÃO, esse bem mais concretizado, altamente influenciado por MORTICIAM e também com os sons passados no PC chegou a ter um bom número de músicas que expeliam todo tipo de perturbação humana e até mesmo sobre-humana, em meio a ectoplasmas e transcomunicações. Num certo dia resolvemos unir os esforços, eu fazendo as programações de bateria, escrevendo e selecionando o conteúdo e ele trampando nas cordas, os vocais e todo trabalho de mixagem ficariam a cargo dos dois. O nome veio mais tarde, na verdade ele seria usado num mini-zine GoreGrind que planejava levantar em parceria com o Bernardo "Serialkiller" do DARKGATES ZINE, mas acabou que esse trabalho não saiu (espero ainda faze-lo), o projeto veio na frente e o nome ficou...
 
2 - Quem escreve as letras e sobre o que fala o CD "O que teremos para o jantar?"?
Fábio Gore: Eu escrevo as letras e seleciono os textos (já que algumas músicas não tem letra e sim um texto informativo) que publicamos no CD com a ajuda e acompanhamento do Masmorra. Propomos para o público um "tratamento de choque", onde transmitimos da forma mais crua e real, sem privações e nenhum censo de ética e moral, um conteúdo macabro e perverso que se origina nas mãos dos seres chamados "pensantes". Buscamos com isso criar algum sentimento de revolta e culpa e que esses sentimentos despertem um "mover", uma "atitude" em prol da distante , não impossível, mudança. Desde o começo sempre trabalhei para explicitar ao máximo o conteúdo ideológico do projeto, de forma que a pessoa que visse nosso trabalho identificasse na hora qual era nossa pretensão, nossos objetivos. Acho esse um dos diferenciais que o público vem destacando diante dos outros projetos/bandas na cena GoreGrind nacional e internacional.
 
3 - Fale-nos um pouco sobre este CD, há previsão de relançamento através de uma gravadora, ou de um novo trabalho?
Fábio Gore: Lançado de forma totalmente D.I.Y, esse CDR-DEMO que reúne sons de 2001 (alguns distúrbios do EXECRAÇÂO) até 2003 em um total de 25 minutos pode ser considerado como um registro dos nossos primórdios até os dias de hoje. Estamos correndo atrás de um selo/prod, não para o re-lançamento deste trabalho mas sim para a produção do próximo, que possivelmente será um FULL com um extenso conteúdo informativo (o quanto o $$ nos permitir) e uma padronização na qualidade sonora das músicas. Possivelmente também estaremos com alguns SPLIT´s nesse meio tempo, já temos algumas propostas até internacionais (Sulamerican GoreGrind Force).
 
4 - Nota-se em suas músicas, muitos efeitos sonoros, como tambores xamânicos ou choros de bebês. Além disto, as músicas são criadas em computador ou há uma banda por trás disto tudo?
Fábio Gore: Buscamos acrescentar alguns efeitos/samples procurando dar maior intensidade e realidade às músicas mas sempre com a precaução de não deixar a música artificial e computadorizada. Todo o processo de produção é feito no computador, com o uso de programas de mixagem, edição, programadores de bateria e etc, mas buscando o grau máximo de naturalidade, fugindo do termo eletrônico. Isso se deve ao fato de se ter muito mais praticidade na formulação e gravação dos sons e também ao fato de que assim temos à disposição maiores recursos que podem ser aplicados ou não aos sons. Um projeto deve ser valorizado como uma banda (o que não acontece) pois o uso da criatividade e o empenho são os mesmos.
 
5 - Ouvi falar que muitas pessoas têm perguntado sobre shows ao vivo do Grotescolândia. Há pretensões de transformar o projeto em uma banda real?
Fábio Gore: Realmente as pessoas têm nos cobrado as apresentações no palco, já até nos convidaram para tocar em Valência, Rio de Janeiro. Temos muita vontade de tocar ao vivo, seria foda tocar em outras cidades, estados, muito foda mesmo! Para isso teríamos que arranjar outros integrantes, baixista, vocalista e quem sabe mais um guitarrista... Iremos trabalhar para que isso se torne possível, espero que isso aconteça o mais rápido possível... mas acho que nunca deixaremos de produzir no PC devido aos fatores que disse antes e devido aos preços dos estúdios para gravação que vemos por aí...
 
6 - Vocês já tem em vista os músicos para o projeto ou já sabem quem vai fazer parte da banda Grotescolândia?
Fábio Gore: Aqui em juiz de fora encontramos muitos poucos reais admiradores do GrindCore, acho que posso até contar nos dedos. Realmente temos alguns caras em mente, mas não dareis os nomes aqui por estar falando de uma coisa pro futuro (próximo, espero eu), ainda sem definição nenhuma, nem sei mesmo se eles realmente curtem o nosso som e se teriam disposição em fazer essa barulheira com agente!
 
7 - Fale-me sobre algumas bandas de Juiz de Fora, como Skull, Devenustatus, Autumn Flowers, Saevus... Há amizade ou alguns têm preconceitos por vocês serem um projeto e não uma banda?
Fábio Gore: Algumas bandas da cidade merecem maior destaque diante a cena mineira e nacional, mas para isso deveriam correr mais atrás das oportunidades e não ficar esperando um contrato milionário com uma NuclearBlast ou com uma RoadRunner. Mas a justiça é feita e aqueles que se dispõe a um pouco de trabalho estão conseguindo alguma coisa. Temos um ótimo relacionamento com todos (algumas exceções), alguns não dão muito valor ao que fazemos por simplesmente não tocarmos ao vivo, mas aqueles que a opinião realmente nos interessa vêm nos elogiando e incentivando cada vez mais a continuar com o trabalho.
 
8 - Como você vê a cena metal em Juiz de Fora? Há espaço para bandas muito alternativas como uma de goregrind por exemplo?
Fábio Gore: O cenário de Juiz de Fora em geral vem crescendo lentamente, infelizmente por esforços de muito poucos, muitas bandas que tocam direto aí não aparecem com a mesma disposição na hora da divulgação do seu trabalho e dos trabalhos de seus irmãos, poderia ser feito muito mais do que é feito hoje. Atualmente tem muita gente criando banda só pra falar que tem uma banda, seja pra pegar algumas "mariabandas" ou pra tomar alguns "goles" de graça, vemos também um sentimento de concorrência entre algumas bandas, o que é deplorável, já que todos deveriam se unir e trabalhar juntos para divulgação da cena local. Acho que há espaço sim para uma banda de GoreGrind tocar na cidade, seja junto do Death/Black ou seja junto do HardCore, ainda mais agora que conseguimos um local como o Free Hitz, que apresenta uma boa estrutura e acredito eu uma certa facilidade nos contratos.
 
9 - Será realizado em Juiz de Fora, este mês o 1º Nocturnal Hordes Devastation, que conta com várias bandas de renome em São Paulo, além de bandas de Juiz de Fora. O que você espera de um evento destes inéditos na cena de Minas Gerais?
Fábio Gore: Só tenho a elogiar, é claro. Eventos de maior porte como esse marcam a história metálica da cidade, como foi o evento "...Na Arte Extrema" (JF METAL FEST) que rolou em 2001 se não me engano. Admiro muita a atitude dos organizadores do evento em trazer nomeadas bandas à cidade, isso proporciona um fortalecimento e uma grande divulgação da cena local. Esperamos que este seja apenas um entre vários grandes shows que poderemos presenciar aqui em nossa região.
 
10 - Deixe um recado aos headbangers de Juiz de Fora e do Brasil.
Fábio Gore: Gostaria imensamente de agradecer a você Yuri pelo espaço e pelo apoio que vem dado não só a nós mas a toda cena local, força e saúde! Aos bangers eu deixo meu forte abraço e o pedido de união e disposição para nossa cena. Se perguntem "o que eu faço para o fortalecimento do movimento cultural underground juizforano, mineiro e brasileiro?". Força e Saúde a todos e aguardem as grotescas novidades!!

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